sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

saudosos anos 2000 - once in a lifetime


Encontrava-me a descer aquela rampa incrivelmente íngreme em direcção à zona de campismo quando, por uma razão para a qual ainda não arranjei qualquer explicação, o meu olhar se desviou para perseguir um tipo baixo, de camisa vermelha e ténis brancos. De repente, senti o coração a bater mais rápido. Foquei o homem, e não hesitei: "Nick!", exclamei eu, sem medo de me enganar na pessoa. O homem olhou para mim, sorridente e disposto a trocar dois dedos de conversa. Exactamente. Na ressaca do concerto dos Franz Ferdinand em Paredes de Coura deste Verão, eis-me ali, privado de receio e vergonha, a dirigir-me a Nick McCarthy, guitarrista dos Fab Four de Glasgow.

Tremia que nem varas verdes. Lembro-me de ter os olhos humedecidos só de falar com aquele tipo, de lhe dizer mil vezes num inglês sem falhas (nunca me tinha acontecido) o quão o seu primeiro álbum tinha sido importante para mim. Que tinha sido por causa dele, McCarthy, e de Kapranos, que tinha aprendido a tocar guitarra. Devia-lhes quase tudo. Ao meu lado, a Raquel, por quem me apaixonei ao som de "Walk Away", canção que toquei vezes sem conta, do segundo disco, "You Could Have It So Much Better". Mas, se me dirigi ao guitarrista de origem germânica, foi por causa de "Franz Ferdinand", o disco que em 2004 arrecadou sem discussão o Mercury Prize. É uma obra peculiar. Não obstante o sucesso gigantesco de faixas como "Take Me Out", "Dark of The Matinee" ou "This Fire", qualquer das restantes 8 músicas do disco serviriam para dar inicialmente a cara aos Franz Ferdinand. Lembro-me, entre outras, de "Jacqueline", "Auf Achse", "Darts of Pleasure", "40'", "Tell Her Tonight", "Cheating On You", "Michael" ou até a gloriosa "Come On Home". Perdoem-me, acabei de indicar as restantes.

Este disco é para mim não só o melhor desta década como o melhor e mais importante de todos os tempos. Quando esta obra de pós-punk e dance rock alternativo foi lançada, apercebi-me que o que sempre tinha procurado na música eram aqueles riffs, dançáveis e complementares, o carisma de Alex Kapranos e os ritmos imprimidos por Paul Thompson na bateria - a minha grande frustração sempre foi não ter quatro braços, de forma a conseguir reproduzir o som dos Franz Ferdinand. Mas ao menos conseguia dançá-los. E foi assim que, em 2004, os vi no Sudoeste, naquele que foi considerado o concerto do ano. Dancei, vibrei, agarrei-me a pessoas que nunca cheguei a conhecer. Tudo pela alegria e energia que aqueles quatro transmitiam ao vivo. Eles não são músicos exímios. Nem sei se algum dia lá chegarão. Mas sabem o que fazem com as guitarras, com o baixo e com a bateria (e agora até já se lançaram aos sintetizadores). As primeiras parecem bebés siameses, com timbres convergentes e auxiliando-se mutuamente, à semelhança do que acontece com os The Strokes. Mas melhor. A diferença está também na bateria, que é por si só um riff. Paul Thompson é, de resto, um dos músicos que utiliza o instrumento da forma que mais me agrada. Funde-se com ele e juntos são um só - isto é-vos facilmente explicável por alguém que já o tenha visto ao vivo.

Concluindo, este "Franz Ferdinand", lançado pela Domino em 2004, tem para mim um valor extra-sentimental. Guess what. Não sei do disco.

1 - Jacqueline
2 - Tell Her Tonight
3 - Take Me Out
4 - The Dark Of The Matinée
5 - Auf Achse
6 - Cheating On You
7 - This Fire
8 - Darts Of Pleasure
9 - Michael
10 - Come On Home
11 - 40'


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